Perda de peso e controlo da diabetes: o que precisa de saber sobre o GLP-1

Tem-se observado um interesse crescente em torno dos medicamentos designados análogos do GLP-1, como o semaglutido ou liraglutido (comercializados como Ozempic, Wegovy ou Saxenda). Mais recentemente, surgiu o medicamento tirzepatida (comercializado como Mounjaro), um fármaco com ação dupla, que imita não só a ação do GLP-1, mas também do GIP, outra hormona intestinal.

Mas o que são estes fármacos, para que servem e que cuidados exigem?

O GLP-1 é uma hormona produzida no intestino após a ingestão de alimentos. Os “análogos” são medicamentos que imitam a ação desta hormona, mas de forma muito mais prolongada e potente. Atuam sobretudo de três formas: ajudam o pâncreas a libertar insulina na quantidade adequada para manter os níveis de glicemia (açúcar no sangue) dentro da normalidade; atrasam o esvaziamento gástrico, fazendo com que os alimentos demorem mais tempo a ser digeridos; e atuam no cérebro aumentando a sensação de saciedade e reduzindo o apetite, sendo este o principal mecanismo responsável pela perda de peso.

Em Portugal, estes fármacos têm duas indicações médicas. A primeira é a Diabetes Tipo 2. Nestes doentes, os análogos do GLP-1 controlam a glicemia e oferecem proteção cardiovascular, reduzindo o risco de enfarte agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC). A segunda é a Obesidade ou Excesso de peso com patologias associadas, como hipertensão, colesterol elevado, pré-diabetes ou apneia do sono.

Como qualquer medicamento, os análogos do GLP-1 não estão isentos de efeitos adversos. Os mais comuns são gastrointestinais: náuseas, vómitos, diarreia, obstipação (prisão de ventre) e azia. Felizmente, estes sintomas costumam ser ligeiros a moderados e tendem a atenuar ao fim de algumas semanas, à medida que o organismo se adapta à medicação. Para minimizar este desconforto, inicia-se o tratamento com doses baixas e aumento gradual. Existem ainda estratégias alimentares que ajudam a minimizar estes efeitos: optar por refeições de menor volume e mais frequentes, mastigar lentamente e evitar refeições muito gordurosas. Outros efeitos adversos mais raros incluem a inflamação do pâncreas (pancreatite) e problemas na vesícula biliar.

É fundamental sublinhar que a obesidade é uma doença crónica e complexa, que requer um seguimento clínico e tratamento a longo prazo. Por este motivo, quando o tratamento farmacológico é suspenso, verifica-se habitualmente o reganho de peso. Para potenciar os resultados, é imperativo aliar a medicação a alterações sustentáveis no estilo de vida – uma alimentação equilibrada e a prática regular de exercício físico. Garantir um aporte proteico adequado e implementar um treino de força ajustado constituem estratégias essenciais para potenciar a perda de massa gorda e minimizar a perda de massa muscular, que por vezes se observa quando há uma rápida perda de peso.

Se tem Diabetes Tipo 2 ou obesidade e está interessado em iniciar tratamento com análogos do GLP-1 fale com o seu médico assistente.

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Autor: Helena Ferreira – Endocrinologia – OM 68484

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